Alexis Krauss
Duplopenso logo existo
Na última semana, o presidente-executivo da Mozilla foi forçado a demitir-se por em 2008 ter doado mil dólares para apoiar a Proposition 8, uma petição contra a legalização do casamento gay no estado da Califórnia. Independentemente da posição de cada um relativamente ao tema, Brendan Eich não matou ninguém, não roubou ninguém, não cometeu qualquer ilegalidade. Limitou-se a contribuir para uma campanha que tinha como objectivo levar a discussão pública, e de forma democrática, um tema polémico.
Vivemos numa época em pode ser perigoso ter convicções. Orwell tinha razão.
Vivemos numa época em pode ser perigoso ter convicções. Orwell tinha razão.
Somos Tara Perdida
Os Tara Perdida foram a banda sonora da minha adolescência. Conhecia todas as faixas, tinha as letras na ponta da língua. E vi tantos concertos que comecei a conhecer todas as variações das músicas ao vivo. Entre os momentos mais marcantes, lembro-me do concerto do Rock in Rio em 2006 onde entortei a cana do nariz no meio de um mosh, ou do inesquecível concerto na Incrível Almadense que deu origem ao DVD que condensa todos os grandes momentos musicais da banda. Lembro-me ainda do concerto no Sudoeste de 2007, quando os Tara Perdida eram já um fenómeno de massas, em que o mosh transbordava a tenda que dava abrigo ao palco secundário. Em jeito de compensação, no ano seguinte os Tara Perdida tiveram direito ao palco principal e levantaram uma das maiores nuvens de poeira que a Herdade da Casa Branca já viu. Entretanto, o tempo passou e os interesses musicais divergiram. Mesmo assim, na última edição do Super Bock Super Rock aproveitei para matar saudades. Notava-se claramente que os álbuns mais recentes já não tinham a força de outrora, mas a cada grande hit de sempre a assistência reagia como um furacão. Com a incontornável «Batata Frita» à cabeça.
Cheguei a conhecer o Ribas. Na altura, surpreendeu-me a sua simplicidade e honestidade. Com 30 anos de carreira ligado a bandas tão emblemáticas como os Ku de Judas, Censurados e Tara Perdida, a atitude descontraída que tinha em palco era exactamente a mesma que tinha à conversa com amigos, entre umas litrosas. Sem tiques de vedeta, fazia aquilo que mais gostava e dizia abertamente que estava a "cagar-se" para a pirataria. "O que me interessa é que a malta curta a música". Não podemos mais ver-te em palco, mas podemos continuar a curtir a tua música, Ribas. Obrigado por tudo e até sempre!
Gajas
«Love is to Die», Warpaint.
Esta não é apenas a faixa que mais vezes ouvi este ano. É também o cartão de visita do álbum homónimo das Warpaint, uma banda de quatro meninas californianas que editou no início deste ano o seu segundo disco. Confesso que depois de Exquisite Corpse, o fantástico EP de estreia que me deixou a salivar, tinha ficado algo desiludido com The Fool, o primeiro disco a sério editado no já longínquo ano de 2010. Ontem estive na Aula Magna para ver as meninas pela primeira vez. Como as mulheres rockeiras não são tão frequentes como isso e as bandas compostas exclusivamente por meninas ainda menos, há uma tendência para elogiar o rock no feminino só porque sim, quase com uma condescendência cavalheiresca. No caso dos Warpaint não é preciso, porque as meninas são mesmo muito boas naquilo que fazem.
Quinta-feira é o dia
«Amor Combate», Linda Martini.
Sigo os Linda Martini desde Olhos de Mongol. Na altura mudaram completamente a paisagem musical em Portugal. Com uma abordagem crua e violenta, estavam longe da sonoridade imediata que se ouvia. Talvez involuntariamente, foram uma espécie de porta-estandartes de uma nova geração do rock que surgiu a tocar e a cantar em português. Hoje, com três discos editados (Turbo Lento saiu no final de 2013, mas para mim Casa Ocupada continua a ser o melhor), o respeito da crítica e uma fiel legião de fãs, são praticamente uma instituição. Há quem lhes cole o rótulo de pós-rock, embora eles odeiem a expressão. Eu também não gosto. Todos os elementos partilham a passagem pelo hardcore e essa herança continua ainda presente, a vários níveis. E embora a sonoridade se tenha tornado mais polida, nunca perdeu o ímpeto de outros tempos. Inexplicavelmente, ao longo destes anos nunca surgiu oportunidade de os ver ao vivo. Até agora. Na próxima quinta-feira vou estar na cave do Lux para um concerto esgotadíssimo que promete ser memorável. Espero que não esqueçam as origens. Como este «Amor Combate».
As palavras dos outros (VII)
«Poderíamos começar pelas imagens dominantes dos jovens em muitos registos televisivos (e publicitários). Os modelos mais fortes definem-nos como patetas alegres, não poucas vezes enredados na estupidez humana da “reality TV” (observe-se a mediocridade existencial da MTV que, nas suas origens, foi uma poderosa força de transformação cultural). Em muitos programas, não necessariamente de “entretenimento”, os mais novos surgem reduzidos à imagem fútil de ursinhos amestrados de quem apenas se espera que encenem algum disparate cada vez que se coloca uma câmara à sua frente. Dito de outro modo: nas linguagens televisivas, o jovem é, quase sempre, uma personagem festivamente irresponsável.»
João Lopes
in Sound + Vision.
João Lopes
in Sound + Vision.
Vinte anos (2)
«Loser», Beck.
Na verdade, a faixa foi lançada em 1993, enquanto single. Reza a lenda que o teledisco custou 300 dólares, uma pechincha para um tema que se tornaria um clássico intemporal. Foi o primeiro grande sucesso de Beck e seria incluindo em Mellow Gold, em Março do ano seguinte. Passam agora vinte anos. O tempo passa mas há coisas que não mudam. Continuamos perdedores.
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