«Poderíamos começar pelas imagens dominantes dos jovens em muitos registos televisivos (e publicitários). Os modelos mais fortes definem-nos como patetas alegres, não poucas vezes enredados na estupidez humana da “reality TV” (observe-se a mediocridade existencial da MTV que, nas suas origens, foi uma poderosa força de transformação cultural). Em muitos programas, não necessariamente de “entretenimento”, os mais novos surgem reduzidos à imagem fútil de ursinhos amestrados de quem apenas se espera que encenem algum disparate cada vez que se coloca uma câmara à sua frente. Dito de outro modo: nas linguagens televisivas, o jovem é, quase sempre, uma personagem festivamente irresponsável.»
João Lopes
in Sound + Vision.
Vinte anos (2)
«Loser», Beck.
Na verdade, a faixa foi lançada em 1993, enquanto single. Reza a lenda que o teledisco custou 300 dólares, uma pechincha para um tema que se tornaria um clássico intemporal. Foi o primeiro grande sucesso de Beck e seria incluindo em Mellow Gold, em Março do ano seguinte. Passam agora vinte anos. O tempo passa mas há coisas que não mudam. Continuamos perdedores.
A formatar...
Ele queria que ela saísse da sua vida, mas nem sequer conseguia apagá-la do cartão de memória.
A Coreia do Norte ou o Reino da Carochinha
Não tenho qualquer simpatia pelo regime da Coreia do Norte, mas espanta-me a forma como tanta gente parece aceitar como verdadeiras quaisquer histórias que se contem acerca do país. Os exemplos sucedem-se, mesmo quando as histórias são bizarras e implausíveis mesmo para os padrões norte-coreanos. Há poucas semanas surgiu por toda a imprensa mundial a notícia de que o tio de Kim Jong Un, depois de condenado à morte, teria sido introduzido numa jaula onde estavam 120 cães que o devoraram, sob o olhar atento do sobrinho e de mais 300 membros do partido. No entanto, só para citar a Time, o Washington Post e a NBC, as coisas podem não ter sido bem assim. A mais recente notícia, que até blogues como o Insurgente se prestaram a reproduzir, diz que o regime teria anunciado o envio de um astronauta ao Sol. Uma rápida busca pela internet revela que a notícia falsa partiu de uma página satírica irlandesa semelhante ao nosso Inimigo Público. Resta saber se é pior o regime que engana o seu povo ou o povo que se deixa enganar tão facilmente por tais mentiras.
Duas almas num coração
É curioso que a primeira parte de Nymphomaniac comece e termine ao som de Rammstein. Nos últimos filmes de Lars von Trier, as bandas sonoras têm-se centrado quase exclusivamente em nomes da música clássica (Handel em Antichrist e Wagner em Melancholia), por isso a escolha de uma sonoridade tão forte e agressiva não é muito óbvia. No entanto, existem vários paralelos entre o realizador dinamarquês e a banda da Alemanha Oriental: a consciência do poder da imagem, a espectacularidade cénica, a atitude iconoclasta e provocadora, o gosto pela polémica, a perigosa ambiguidade de certos temas, a aversão e quase desprezo em relação à cultura de massas norte-americana. Será o caso de «duas almas num coração», como lembra a letra de «Führe mich»?
Vinte anos
«Sour Times», Portishead.
Há dias descobri que já passaram 20 anos desde que os Portishead se estrearam com Dummy. A seguir fui procurar e descobri uma mão cheia de grandes músicas que completam este ano a mesma idade. Ao contrário de alguns hits da altura, no caso dos Portishead o tempo passou bem pela banda. É incrível como a sonoridade de Dummy mantém uma irresistível vitalidade. O vídeo é de «Sour Times», na versão ao vivo que consta no DVD de Roseland NYC Live, lançado em 2002. No disco homónimo editado anteriormente, em 1998, a faixa havia sido substituída por uma versão bem mais negra e dramática gravada em São Francisco.
Homenagem à Catalunha
Através do Malomil, cheguei a esta fotografia fabulosa. Trata-se de um retrato da guerra civil espanhola que não conhecia e que, na verdade, só foi resgatado aos arquivos da agência de notícias EFE em 2002. A imagem foi captada pelo fotógrafo Hans Gutmann nos primeiros dias do conflito, a 21 de Julho de 1936, no topo do Hotel Colón, junto à Praça da Catalunha, em Barcelona. Durante o conflito o edifício serviu de sede ao Partido Socialista Unificado da Catalunha (PSUC) e em Junho de 1937 chegou a ser cenário de tiroteio, nos confrontos descritos por Orwell na sua «Homenagem à Catalunha», que opuseram o PSUC e os partidários dos soviéticos às milícias trotskistas e anarquistas. Após a guerra civil, o edifício foi ocupado pelo banco Banesto e actualmente alberga a loja da Apple. A personagem principal da fotografia, de rosto confiante e desafiador, é Marina Ginestà, nascida em Toulouse em 1919. Na altura com 17 anos, a jovem exercia funções de corresponde e intérprete na retaguarda republicana. Como grande parte das mais icónicas fotografias de guerra, a imagem foi encenada. Segundo declarações da própria Marina, disseram-lhe para subir ao terraço do hotel com o fotógrafo e deram-lhe uma espingarda, advertindo que teria de devolver a arma no fim da sessão. Curiosamente, Marina conheceu a fotografia apenas em 2006, depois do esforço de um repórter da EFE para identificar a jovem da imagem. Faleceu na última segunda-feira, em Paris, aos 94 anos.
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