Tudo se resume a isto

«A man must have a code.»

Processo de Domesticação em Curso



«Bitter Rivals», Sleigh Bells.

Em 2009 os Sleigh Bells surpreenderam com Treats, noise corrosivo e anguloso, produzido apenas por uma guitarra distorcida, uma caixa de ritmos endiabrada e a postura provocadora e descomplexada da vocalista Alexis Krauss. Já lá vão cinco anos. Ao terceiro disco, a sonoridade do duo de Brooklyn está cada vez mais polida e elaborada. Se é verdade que o som dos Sleigh Bells mantém os elementos que o distinguia, a agressividade juvenil parece temperada por uma abordagem crescentemente pop. Uma tendência que já vinha de Reign of Terror, mas que agora é claramente assumida no single que dá nome ao álbum. Os Sleigh Bells estão mais maduros e isso não é necessariamente mau. Só é pena não se encontrar neste disco a energia selvagem de um «Crown On The Ground», faixa que Sofia Coppola usou apropriadamente para o genérico de Bling Ring.

A Persistência da Memória


El secreto de sus ojos, Juan José Campanella (2009).

Regicídios

Leio no Público que o Cinema King está em risco de fechar. Por enquanto é apenas uma ameaça, provocada pela actualização do valor da renda. No entanto, dada a vaga de encerramentos de salas de cinema em Portugal, é fácil antever o pior cenário. O King não é certamente o cinema mais confortável de Lisboa, mas é um dos poucos sítios da capital onde ainda é possível respirar cinema. Da altura em que frequentava o King guardo uma série de pormenores que davam um carisma especial ao espaço, desde a pequena livraria na cave aos recortes de jornal que faziam o enquadramento dos filmes em exibição. A ausência de pipocas também era um ponto a favor. Mais importante que tudo, foi no King que vi alguns dos filmes que mais me marcaram, como o «Europa» de Lars von Trier (num excelente ciclo dedicado ao realizador dinamarquês) ou «Control» de Anton Corbijn. Depois do encerramento do mítico Quarteto, espero que não deixem morrer o King.

Os homens são sempre escolhidos

"Convenço-me, também, de que o homem «em geral» é muito mais estúpido do que o julgava há uns anos. A lucidez dos homens é uma lenda. Conheço, hoje, imensos homens que foram escolhidos, enganados e «apanhados» por mulheres completamente desinteressantes — sem que eles adivinhassem sequer o seu grau de passividade. Ao lado de tais homens, que têm uma excelente opinião de si próprios, passam às vezes mulheres admiráveis; mas porque, por orgulho ou timidez, essas mulheres não tentam confiscá-los, eles falham a sua vida — e tornam-se maridos das dúzias de feias, de parolas, de velhas ou de fúfias, que se propuseram «engatá-los». Em muitos casamentos que conheci nos últimos sete/oito anos, as esposas estão muito abaixo do nível dos maridos, mas infinitamente mais inteligentes e mais hábeis do que eles, comprovado pelo facto de os terem. Pelo contrário, quase todas as raparigas admiráveis que conheci neste intervalo de tempo não casaram — porque quase nenhum homem soube escolhê-las. Aliás, acho que quase nenhum homem escolhe. Eles são sempre escolhidos. Como explicar, se assim não for, tantos casais absurdos que conheço? A estupidez dos homens nunca é mais evidente do que quando, depois de muitos engates e aventuras, decidem casar. Quase sempre, a esposa «escolhida» é muito inferior às mulheres com que andou."
Mircea Eliade
in "Diário Português [1941-1945]", Guerra e Paz Editores.

Coisas que importam



«Youth», Daughter.

And if you're in love, then you are the lucky one,
'Cause most of us are bitter over someone.

Há mar e mar

Há ir e voltar.

Lições da crise

Se há coisa que esta crise nos ensinou, especialmente no campo das redes sociais, é que toda a gente tem um pequeno Marcelo Rebelo de Sousa dentro de si.