O Fado do Estado

Engana-se quem pensa que é possível transformar Portugal num país neo-liberal, seja lá o que isso for. Não há liberalismo em Portugal porque não há país fora do Estado. Desde as farmácias que (sobre)vivem às custas das margens de comercialização dos medicamentos definidas pelo Governo aos escritórios de advogados que se sustentam com assessorias e outros serviços, passando pelas grandes empresas de construção que faziam a sua vidinha em obras públicas, tudo em Portugal passa pelo Estado. Não é novidade. Durante o Estado Novo, com a iniciativa privada agrilhoada pela lei do condicionamento industrial, o sector privado estava nas mãos de meia dúzia de famílias que coexistiam com o Governo pela manutenção do statu quo. O que o 25 de Abril fez foi baralhar e voltar a dar. Já Eça falava de um país inteiro que se sustentava com o caldo da portaria do Estado. Não há volta a dar. Somos um país pequeno, com fronteiras definidas desde 1297 e onde o feudalismo foi incipiente. O Estado cristalizou-se com D. Afonso III e desde aí é o sustento do país. Este é o nosso fado.

Paralelos

A última tendência é comparar a situação portuguesa em 2012 com a República de Weimar. Resta saber onde estão os nossos Corpos Francos.

Uma pergunta

E o default do país, não é inconstitucional?

Fim-de-semana



«Sábado à Tarde», Feromona.

Menos Público

Esteja ou não relacionado com os cortes orçamentais, a verdade é que o Público tem perdido qualidade ao longo dos últimos anos. Continua a ser o jornal de referência, nem que seja por falta de comparência do adversário. O i ameaçou dar luta durante um tempo, mas o projecto desmoronou-se com a saída de Martim Avillez Figueiredo. Apesar disso, no caso do diário da Sonae as gralhas, os erros, as más traduções de notícias de agências e as peças para encher chouriço são cada vez mais frequentes. Assim como a agenda ideológica que tomou de assalto certas secções. Pode ser que a anunciada reestruturação do jornal seja uma oportunidade de inverter o rumo, transformando-o numa publicação com menos custos mas mais qualidade. Ou então não.

Estática da Liberdade

O aspecto mais curioso de Meio Metro de Pedra, o documentário que aborda a evolução do rock'n'roll em Portugal, é o impacto tremendamente negativo do 25 de Abril no desenvolvimento dessa contra-cultura. Ao longo da década de 60 e até 1974, o fenómeno do rock'n'roll foi crescendo em Portugal, apesar da censura, da guerra colonial e do tão propalado isolamento do país. Ironicamente, com o 25 de Abril e as liberdades chegou a imposição de uma monocultura intensiva musical baseada na cantiga de intervenção, que até ao final da década restringiu todas as outras expressões musicais ao mais absoluto silêncio. O documentário é verdadeiro serviço público e está disponível gratuitamente no Youtube.

O Passo da Floresta


«A Forest», The Cure.

"[O passo da floresta] não é um acto liberal nem romântico, mas o espaço de manobra das pequenas elites, que sabem tanto o que a época lhes pede, como conhecem ainda outras exigências".
Ernst Jünger
in "O Passo da Floresta".


Um jornal não é um blogue

A triste rábula das "janelas dos aviões" diz menos do enviesamento político dos jornalistas cá do burgo do que da qualidade do jornalismo que se faz em Portugal. Depois queixam-se que se vendem cada vez menos jornais...