O segundo disco é sempre um parto difícil. No caso de uma banda que se tornou um fenómeno mundial à primeira tentativa, ainda mais. É um equilíbrio difícil entre repetição da receita do sucesso e a demonstração da capacidade de fazer diferente. Em 2009, os britânicos
The xx juntaram a excitação da crítica ao sucesso comercial. Com uma aura intimista e melancólica, e um ritmo minimal pontuado por prolongadas linhas de baixo, tornaram-se
the next big thing. Rapidamente viram as suas canções tomar de assalto os mais diversos meios: desde séries de televisão a
spots publicitários, passando pela política — Paulo Portas usou «
Intro» para os comícios do CDS na campanha eleitoral de 2011. Dois anos e inúmeros concertos depois, o grupo voltou a estúdio para um novo disco. O resultado é
Coexist, e não é propriamente excitante. Nota-se a tentativa de inovar sem sair dos moldes do primeiro álbum, mas a verdade é que falta qualquer coisa. Há boas músicas, como «
Angels», e um punhado de bons momentos que ficam no ouvido, como em
«Sunset». Mas o resto do disco é um vazio indisfarçável, que nos deixa repetidamente a pensar, ao fim de cada audição,
«mas é só isto?». Quase como se fosse uma pobre tentativa de imitação de
The xx. Pode ser consequência da ausência de Baria Qureshi, a guitarrista que abandonou o projecto pouco depois da edição do primeiro disco. Nunca se saberá. De facto, o estilo sombrio permanece, como no primeiro disco. Mas em vez de desenhadas pelas ondulações orgânicas do fogo, desta vez as sombras são projectadas pela artificialidade de uma lâmpada de 40W.