Rastilho de Pólvora
Em 1996, uma rábula de Herman José na televisão pública sobre a Última Ceia motivou uma vaga de indignação que culminou na apresentação de uma petição com mais de cem mil assinaturas contra a emissão do programa. Houve quem visse nessa atitude uma demonstração do provincianismo português. Uma década depois, o colectivo Gato Fedorento protagonizou vários sketches que satirizavam Jesus Cristo e a Igreja sem suscitar qualquer reacção negativa. Os tempos tinham mudado. Em 2012, um excerto de um filme amador de qualidade duvidosa que aborda a vida de Maomé surge no Youtube e despoleta uma onda de violência por todo o mundo islâmico, com ataques a embaixadas em diversos pontos do globo. No entanto, por cá há jornais que acham que o filme é um rastilho de pólvora.
Estado do tempo
Portugal é o país onde todos acham que têm direito a Saúde e Educação gratuitas, auto-estradas à borla, descontos nos passes, subsídios e apoios à descrição, mas onde ninguém quer pagar mais impostos. Em que ficamos? Não dá para ter sol na eira e chuva no nabal.
O Fim é o Início
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Valete, Fratres.
Fernando Pessoa
in "Mensagem", 1934.
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